sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

ALEXANDER CAMPBELL

ALEXANDER CAMPBELL: O PRINCIPAL TEÓLOGO E ORGANIZADOR DAS IGREJAS DE CRISTO

“Nós temos entre nós toda a sorte de doutrinas pregadas por toda a sorte de homens”.
Alexander Campbell nasceu em Balleymena, County Antrim, Irlanda, no dia 12 de setembro de 1788. Ele era filho de Thomas Campbell, pastor presbiteriano fundador da Associação Cristã de Washington, autor da "Declaração e Discurso" - o principal documento histórico das Igrejas de Cristo - e um dos pioneiros do Movimento que deu origem às Igrejas Cristãs e Igrejas de Cristo ou Discípulos.
Alexander CampbellSua infância foi quase toda em uma fazenda próxima ao povoado de Rich Hill, onde seu pai pastoreava a Igreja Presbiteriana em Ahorey. Seus primeiros anos de estudo foram sob os cuidados do seu pai na Escola Rich Hill e onde posteriormente foi professor auxiliar.
Quanto à sua conversão, Alexander Campbell disse o seguinte:
"Assim que eu comecei a ler as Escrituras, logo cri que Jesus era o Filho de Deus. Aprendi, também, que eu era um pecador e devia, por isso mesmo, procurar o perdão de Jesus ou ficar perdido para sempre. Isso me preocupava tremendamente. Por fim, depois de muitas orações e tempo, eu pude depositar toda a minha fé no Salvador e depender dele o único Salvador dos pecadores. Foi somente depois disso, então, que eu pude gozar a paz da minha consciência".[1]
Uma outra experiência foi muito importante para a sua fé e é como segue. Seu pai tinha ido para a América sem a família. No dia 01 de outubro de 1808, Jane Carneigle e seus filhos Alexander, Dorothea, Nancy, Jane, Thomas, Archibald e Allecia embarcaram para o encontro com Thomas Campbell. Um forte temporal fez com que o barco encalhasse em uma ilha na costa escocesa. Por toda noite o Hibernia, era assim que se chamava a embarcação, esteve entre as altas ondas e as rochas. Todavia, pela misericórdia de Deus, ao amanhecer toda a tribulação pôde desembarcar ilesa. Soto escreveu que esta noite de incerteza foi "decisiva para a vocação de Alexander". O jovem Campbell havia percebido a fragilidade da vida humana e dos bens materiais.[2] Naquela noite angustiante Campbell fez um pacto com Deus, dizendo:
"Se o Senhor me livrar desta tempestade e me permitir viver, eu dedicarei completamente a minha vida para o Seu trabalho".[3]
Após recolher seus pertences, Alexander e a família Campbell foram para Glasgow, Escócia, aguardar uma nova oportunidade para viajar para a América.
Logo Alexander Campbell começou a estudar na Universidade de Glasgow, onde seu pai havia se formado e como já dissemos era um centro de excelência presbiteriano. Ele também foi muito influenciado por Robert Haldane e James Haldane. Estes reformadores imersionistas (batistas escoceses) defendiam "um reavivamento evangélico e um maior zelo missionário na Igreja da Escócia". Os Haldane's iniciaram uma igreja "independente" em 1799, pregavam a autonomia congregacional e celebravam a Ceia do Senhor semanalmente. James Haldane afirmou em 1805 que "todos os cristãos têm a obrigação de observar as práticas universais aprovadas pelas primeiras Igrejas registradas nas Escrituras".[4] O contato de Alexander Campbell com os Haldane's se deu através de Greville Ewwing, que estava dirigindo um seminário em Glasgow e havia se tornado amigo da família.[5]Nessa época, Alexander Campbell ia aos cultos da Igreja Presbiteriana aos domingos de manhã e à tarde ia para a igreja imersionista "independente" do seu amigo Ewwing, onde a Ceia do Senhor era celebrada todo domingo.[6]Here then are groups from Virginia, Vermont, New Hampshire, Connecticut, Kentucky, Pennsylvania, and New York.
A família Campbell pertencia a um grupo sectário e rígido da Igreja Presbiteriana chamado Pró-Acordo, Separatista, Anti-Burguesa e de Velha Luz. Esse grupo praticava a Ceia do Senhor apenas uma única vez ao ano e no mês de maio. Cada membro recebia uma cruz de metal que representava a aprovação dos líderes para a participação na Ceia. Os presbíteros, antes da celebração, haviam entrevistado Alexander Campbell com a finalidade de confirmar sua fé, ou seja, sua concordância com as doutrinas do referido grupo. Por essa época, o jovem Campbell passava uma por uma luta interna, especialmente depois da influência recebida dos irmãos Haldane's. Todavia, os líderes da Igreja Presbiteriana lhe deram a cruz de metal, que era o passaporte para celebrar a Ceia do Senhor. Em intenso conflito interior Campbell colocou a cruz de metal na mesa e não comeu do pão nem tomou do cálice. Naquele instante decidiu deixar em seu íntimo a Igreja Presbiteriana.[7]
No dia 03 de agosto de 1809 a família Campbell deixou a Escócia rumo a América e lá desembarcou no dia 29 de setembro em Nova York. No entanto, o tão esperado encontro com Thomas Campbell somente se deu no dia 19 de outubro, no caminho para a Pensilvânia. Fernando Soto escreveu que pai e filho temiam a reação um do outro quanto às suas novas experiências reformadoras. Todavia, ambos se alegraram com as notícias compartilhadas e passaram a caminhar juntos.[8] Por essa época Thomas Campbell e outros presbiterianos haviam formado a Associação Cristã de Washington no dia 17 de agosto de 1809. Eles não queria formar uma nova igreja, mas defender uma reforma da Igreja e promover o cristianismo evangélico simples.
No dia 15 de julho de 1810 pregou o seu primeiro sermão. "Sem licença ou autoridade de nenhuma igreja, ele continuou pregando e em um ano havia pregado mais de cem sermões".[9] Como já dissemos acima, a intenção dos "reformadores" não era começar uma igreja, mas em 04 de maio de 1811 a Associação Cristã de Washington foi transformada na Igreja em Brush Run e a Alexander Campbell foi dada a licença de pregador. No dia 01 de janeiro de 1812 foi ordenado ao ministério cristão.
Alexander Campbell se casou com Margaret Browne no dia 12 de março de 1811. O casal foi morar na propriedade do pai de Margaret em Buffalo, que posteriormente passou para a propriedade deles. Devido a semelhança com um outro povoado próximo, Campbell convenceu as autoridades para mudar o nome de Buffalo para Bethany. Como fazendeiro ele foi muito bem-sucedido e acumulou uma boa fortuna.
Após dezesseis anos de luta contra a tuberculose, em 22 de outubro de 1827 sua esposa Margaret faleceu. Alexander e Margaret tiveram sete filhas e um filho, este último só viveu algumas horas. Sua quinta filha, Amanda, faleceu com seis meses de idade. As demais filhas contraíram tuberculose e todas morreram antes dos 30 anos de idade: Jane (21 anos), Eliza Ann (25 anos), Maria Louisa (25 anos), Lavinia (28 anos), Margaretta (25 anos) e Clarinda (29 anos). Elas eram casadas e algumas tiveram filhos. Margaret, antes de morrer, pediu a Alexander que se casasse com sua melhor amiga Selina Bakewell, o que veio acontecer um ano após ela dormir no Senhor. Campbell e Selina tiveram seis filhos: Margaret, Alexander, Virginia, Wickliffe (que morreu afogado aos 09 anos), Decima e William.[10]
No outono de 1813 a Igreja em Brush Run se uniu com a Associação Batista de Redstone. Desde o início essa união com as Igrejas Batistas não foi fácil e sempre foi cheia de tensões. Três anos depois, devido as divergências entre as posições de Campbell e os batistas, o nome de Alexander foi retirado da lista de pregadores da programação da reunião anual da referida associação. Todavia, no dia 30 de agosto de 1816, com a impossibilidade do pregador daquele dia de comparecer devido a problemas de saúde e debaixo da pressão dos seus simpatizantes, Alexander Campbell pregou o seu famoso "Sermão Acerca da Lei" baseado em Romanos 8:3.[11]
Neste histórico sermão Campbell fez uma clara distinção entre a Lei e a graça, entre o Antigo e o Novo Testamento. Segundo Soto, os conceitos enunciados por Campbell naquela ocasião hoje são amplamente aceitos, mas em 1816 muitos o acusaram de heresia.[12] Mais tarde, em um artigo publicado em "O Arauto do Milênio" (The Millenial Harbinger), Campbell lamentou que esse sermão tivesse o envolvido em sete anos de grandes contendas com a Associação Batista de Redstone. A perseguição promovida pela Associação, de certa forma, serviu para promover Campbell e os ideais de reforma da Igreja por ele defendida.[13]
Em 1823, a Associação Batista de Redstone quis expulsar os "reformadores", mas Campbell e os seus seguidores frustaram esse plano mudando para a Associação Batista de Mahoney.[14] Em 1829 a Associação Batista de Beaver, da Pensilvânia, publicou um "anátema" contra os "reformadores" e a Associação de Mahoney, onde expôs as diferenças entre os batistas e os "campbellistas". Por fim, este "anátema" foi usado como padrão por outras associações batistas para expulsar os ditos "reformadores".[15]
Naquela época era comum organizar debates sobre a religião, especialmente entre os presbiterianos e batistas.[16]Alexander Campbell participou de vários debates, tais como:
1. Com o pastor presbiteriano John Walker sobre o batismo em 1820;
2. Com o Pr. W. L. MacCalla, também presbiteriano, cujo centro foi o batismo e durou sete dias em 1823;
3. Em 1829 debateu com o líder socialista Robert Owen sobre a fé cristã discursando sobre as evidências do cristianismo por doze horas;[17]
4. Em 1837 debateu com o Bispo John B. Purcell, católico, o que fez as Igrejas de Cristo ou Discípulos serem reconhecidos como ortodoxos[18] e parte integrante da comunidade cristã evangélica norte-americana;
5. Seu último grande debate se deu em 1843 com Nathan Rice, um ministro presbiteriano que queria defender sua denominação devido ao grande êxito de presbiterianos para as fileiras das Igrejas de Cristo ou Discípulos.[19]
O primeiro debate, todavia, foi o mais significante para Alexander Campbell, pois mostrou sua aptidão e autoridade em assuntos religiosos para todos. Também foi importante porque o convenceu que os debates seriam instrumentos importantes para a divulgação dos seus ideais.[20]
De 1823 a 1830 Alexander Campbell editou "O Cristão Batista" (The Christian Baptist), periódico que serviu como divulgador das idéias do novo movimento e foi o instrumento pelo qual uma afinidade com Barton W. Stone e seus seguidores foi criada. Em 1830, ele passou a publicar um novo periódico chamado "O Arauto do Milênio" (The Millenial Harbinger), depois de considerar inapropriado continuar publicando o antigo periódico,[21] e assim o fez por quase quarenta anos.
Entre 1827 e 1830, quando a união com os batistas chegou ao fim, "A Reforma Presente" dos Campbell's não estava mais restrita a uma pequenina comunidade cristã (os trinta irmãos do início da Igreja em Brush Run), mas tinha igrejas por vários estados e mais de dez mil membros, a maioria ex-batistas. Em 1836 Campbell publicou "O Sistema Cristão", onde se esforçou para apresentar de uma maneira sistemática, compreensiva e construtiva as doutrinas do Novo Testamento.[22]
Campbell sempre estimulou a criação de cursos de nível superior. Ele queria criar uma instituição que também formasse o caráter dos alunos. Em 1840 ele fundou o Colégio Betânia (Bethany College), cujas aulas tiveram início no ano seguinte.[23] Certa vez ele disse: "Queremos mil homens no campo do mundo e outro milhar na vinha do Senhor".[24] Ele presidiu esta instituição por toda a sua vida e sempre se dedicou a coletar fundos para o seu desenvolvimento.
Alexander Campbell liderou, desde a sua chegada aos EUA, "A Reforma Presente" ou movimento dos Discípulos. E essa liderança teve duas fases bem distintas. Na primeira fase, especialmente durante a publicação de "O Cristão Batista" onde a maioria dos artigos eram polêmicos, o jovem Campbell foi um discutidor vitalício, um polemista agressivo, valente e radical. Fernando Soto, sobre esse período, diz que ele:
"Atacava a construção de custosos edifícios para as igrejas, ridicularizava o amor pelos títulos religiosos tais como "reverendo". Quando seu pai Thomas lhe recomendava baixar o tom dos ataques, Alexander respondia que cada cristão que entende a natureza e o propósito da instituição chamada igreja de Jesus Cristo, lamentará ver a sua glória transferida a uma corporação humana".[25]
Já o Dr. B. J. Humble escreveu o seguinte:
"O tema do periódico era uma restauração da antiga ordem das coisas. Campbell intentava julgar a fé e as práticas do protestantismo... era de forte espírito iconoclasta; e os três "ídolos" do protestantismo, os quais buscava destruir eram: o clero, os credos e as organizações".[26]
Essa postura, naturalmente, levantou uma enorme oposição dos de fora do movimento e, posteriormente, esse precedente criou problemas entre os próprios "reformadores". Portanto, o exclusivismo e o sectarismo de Campbell prejudicou a união cristã. Infelizmente, muitos na nossa família na fé (Movimento Stone-Campbell) continuam sofrendo com essa doença infantil e não são poucos os nossos irmãos de fé evangélica que também estão contaminados com ela.
Na segunda fase da sua liderança, que se iniciou por volta de 1840, Alexander Campbell percebeu que algumas das suas posições eram insustentáveis. Mais experiente e conciliador ele passou a aceitar a unidade na diversidade pluralista e minimizar a necessidade de uma postura rígida pelo ideal restauracionista.[27] Para você ter uma idéia da natureza e profundidade destas mudanças observe a opinião do maduro Campbell quanto ao batismo cristão, assunto de tanta controvérsia no passado, em resposta a uma carta (A Carta de Lunenberg):
"O que deduz que só é cristão aquele que tenha sido submergido está em tão grave erro como aquele que afirma que ninguém está vivo, senão os que tem uma visão clara e completa... Eu pecaria contra as minhas próprias convicções se ensinar que alguém por não haver entendido o significado de um sacramento (instituição), ainda que sua alma anele conhecer por completo a vontade de Deus, deva perecer eternamente".[28]
E sobre as diferenças doutrinárias dentro do nosso Movimento ele disse:
"Nós temos entre nós toda a sorte de doutrinas pregadas por toda a sorte de homens".[29]
Em 1841 Alexander Campbell fez um chamado à organização e propôs "o estabelecimento de uma "organização geral" entre as igrejas. A igreja, argumentava Campbell, é descrita como "o corpo de Cristo" e um corpo deve ser necessariamente organizado".[30] Para ele, essa "organização geral" deveria ser fruto do consenso das igrejas e não poderia ser imposta sobre nenhuma igreja local. Essa mudança na sua teologia e na prática, associada a outros fatores provocou as amargas controvérsias no nosso Movimento.[31]
Nos últimos anos de sua vida e ministério passou visitando as igrejas, exercendo um verdadeiro ministério apostólico, e recolhendo fundos para o Bethany College. Mesmo com todos os seus erros e acertos, Campbell foi considerado um dos líderes cristãos mais proeminentes de sua época. Sua saúde física e mental declinou de tal maneira que o poupou de sofrer as dores da guerra civil americana. Segundo Soto, nos últimos anos da sua vida ele desfrutou de uma grande quantidade de pessoas que vinham até Bethany para gozar da sua companhia.[32]Alexander Campbell dormiu no Senhor no dia 04 de março de 1866, em Bethany, aos 78 anos de idade.

[1] GONÇALVES, Osório R. Apostila do Departamento de História Religiosa da Faculdade Teológica Cristã do Brasil, pág. 25.
[2] SOTO. Fernando. La Reforma Presente : Literature and Teaching Ministries, 1997, pág. 60.
[3] GONÇALVES, Osório R. Apostila do Departamento de História Religiosa da Faculdade Teológica Cristã do Brasil, pág. 26.
[4] HUMBLE. B. J. "La Historia de La Restauración" / disponível na Internet, pág. 09 e 10.
[5] Ob. cit., pág. 10.
[6] SOTO. Fernando. La Reforma Presente, pág. 61.
[7] Ob. cit., pág. 61.
[8] Ob. cit., pág. 63.
[9] HUMBLE. B. J. "La Historia de La Restauración, pág. 10.
[10] SOTO, Fernando. La Reforma Presente, pág. 74.
[11] Ob. cit., pág. 64.
[12] Ob. cit., pág. 65.
[13] GONÇALVES, Osório R. Apostila do Departamento de História Religiosa da Faculdade Teológica Cristã do Brasil, pág. 35.
[14] HUMBLE. B. J. "La Historia de La Restauración, pág. 17.
[15] Ob. cit., pág. 18.
[16] SOTO, Fernando. La Reforma Presente, pág. 66.
[17] GOETZ, Revista Atos, artigo "Pioneiros no Deserto Religioso", Vol. 13, No. 1, pág. 33.
[18] Não se referindo à Igreja Ortodoxa, mas como sendo bíblicos e conservadores.
[19] SOTO, Fernando. La Reforma Presente, pág. 77.
[20] GONÇALVES, Osório R. Apostila do Departamento de História Religiosa da Faculdade Teológica Cristã do Brasil, pág. 36.
[21] Após o rompimento com a Igreja Batista.
[22] Ob. cit., pág. 77.
[23] Nos EUA se chama "colégio" uma instituição de ensino superior e no Brasil é qualquer instituição de ensino, não necessariamente uma Universidade.
[24] SOTO, Fernando. La Reforma Presente (citando "The Stone-Campbell Movement: Na Anecdotal History of Three Churches", (Joplin, MO.: College Press, 1981), p. 313, por Leroy Garrett), pág. 115.
[25] Ob. cit., pág. 67.
[26] HUMBLE, B. J. La Historia de La Restauracón, pág. 16.
[27] ALLEN. C. Leonard. "Raízes da Restauração" / C. Leonard Allen e Richard T. Hughes ; tradução Newton Bernardi. - São Paulo : Editora Vida Cristã, 1998, pág. 116.
[28] SOTO, Fernando. La Reforma Presente (citando "Memoirs of Alexander Campbell", de Robert Richardson), pág. 79.
[29] 10. HALEY, T. P. Unidade na Diversidade (Relatório Convenção Centennial, 1910 - ed. W. R. Warren), pág. 03.
[30] HUMBLE, B. J. La Historia de La Restauración, pág. 23.
[31] Em 1906 as Igrejas de Cristo (Anti-Instrumental), o ramo radical do nosso Movimento, que eram concentradas no Sul dos EUA e permaneceram mais próximas dos ideais do jovem Campbell, formaram um corpo separado e estão continuamente se dividindo desde então. Entre a década de 1920 e 1968 uma outra divisão ocorreu quando o grupo mais liberal e ecumênico se reorganizou como a Igreja Cristã (Discípulos de Cristo). Os Discípulos que não desejaram ser parte dessa nova denominação formaram uma comunhão de Igrejas Cristãs e Igrejas de Cristo conhecida como os "Independentes".
[32] SOTO, Fernando. La Reforma Presente, pág. 83.

WALTER SCOTT

WALTER SCOTT: O GRANDE EVANGELISTA DOS DISCÍPULOS DE CRISTO
"Levantem a mão esquerda. Agora comecem pelo polegar e repitam: Fé, arrependimento, batismo, remissão dos pecados e o dom do Espírito Santo”.
Nascido em uma família presbiteriana escocesa em 1796, Walter Scott é considerado um dos quatros grandes pioneiros do Movimento de Restauração, juntamente com Thomas Campbell, Alexander Campbell e Barton W. Stone.
Na Escócia ele estudou na Universidade de Edinburgo e em 1818 imigrou para os EUA. Em Nova Iorque foi professor de grego e latim em uma Academia em Long Island. Em 1819 partiu "para a conquista do oeste" e foi morar em Pittsburgh, na Pennsyvania. Lá trabalhou na Academia do escocês George Forrester, que pastoreava uma igreja associada aos batistas-escoceses dos irmãos Haldane's. Após ser imerso nas águas por Forrester, ele deixou o presbiterianismo.
Walter ScottEm 1821 Alexander Campbell e Walter Scott se conheceram e desenvolveram uma grande amizade que durou até o fim da suas vidas. Quando Campbell deu início ao seu periódico foi Scott que sugeriu o nome “O Cristão Batista” (The Christian Baptist).
Walter Scott foi professor e editor. Todavia, foi como evangelista que ele obteve maior evidência. Conta-se que ao chegar em uma vila ou povoado, Scott tinha por hábito ir até a escola, se aproximar das crianças e perguntar se elas queriam aprender o "exercício dos cinco dedinhos":
"Levantem a mão esquerda. Agora comecem pelo polegar e repitam: fé, arrependimento, batismo, remissão dos pecados e o dom do Espírito Santo. Isso lhes ocupa os cinco dedos".
Ele repetia o exercício várias vezes até que aprendessem. Depois mandava as crianças repetirem o "exercício dos cinco dedinhos" para seus pais em casa dizendo que um pregador estaria falando à noite sobre os "cinco dedinhos".
Com essa estratégia de evangelização e após um ano de trabalho incansável, o número de membros das igrejas da Associação Batista de Mahoney, que estavam mais abertas aos "Reformadores", havia multiplicado e seis novas igrejas haviam sido abertas. Confira o que o Dr. B. J. Humble escreveu sobre este período das igrejas batistas da "Western Reserve" localizada em Ohio:

"Fé, arrependimento, batismo, remissão dos pecados e o dom do Espírito Santo - este era o "Evangelho Restaurado" na pregação de Scott. O resultado foi um grande avivamento entre as Igrejas de Mahoney, mas de diferente classe dos avivamentos de Cane Ridge e outros lugares do oeste. Não havia emocionalismo, movimentos corporais ou reuniões ao ar livre".
Em 1823 Scott foi morar em Cincinnati, Ohio onde passou a editar o periódico "The Evangelist" (O Evangelista). Posteriormente ele foi eleito presidente da primeira instituição de ensino superior do nosso Movimento, o Bacon College em Georgetown, Kentucky.
Entre os anos de 1827 e 1830 as tensões entre os "Reformadores" (seguidores das idéias de Alexander Campbell) e os batistas se aprofundaram. O grande fator que contribuiu para isso foi a pregação de Walter Scott descrita acima. Em 1830, Walter Scott propôs a dissolução da Associação Batista de Mahoney. Muitas outras igrejas e associações batistas aceitaram os ensinos de Campbell e o estilo de pregação de Scott. No ano em que se deu a separação definitiva entre "campbelistas" e batistas (1830), a "Reforma Presente" dos Campbell's tinha mais de dez mil membros, a maioria ex-batistas.
Durante a primeira grande controvérsia do nosso Movimento, que foi a respeito das sociedades que promoviam a colaboração entre as igrejas nas mais diversas áreas (missionárias, bíblicas e etc.), Walter Scott teve uma posição marcante. Alexander Campbell havia escrito vários artigos defendendo a colaboração entre igrejas e a década de 1830 foi marcada pela adoção gradual da colaboração de igrejas. Por fim, em 1841, Campbell começou a escrever uma série de dezesseis artigos com o título “A Natureza da Organização Cristã” reafirmando sua posição, mas Walter Scott "se opôs fortemente e perguntou de maneira cortante: 'Quem constituiu o irmão Campbell como nosso organizador?'" Todavia, a maioria das publicações da irmandade e as congregações foram favorável à colaboração das igrejas nas "Sociedades". Todavia, na ocasião do falecimento de Scott, o velho Alexander Campbell escreveu:
"O conheci bem e por largo tempo. Amei-o muito. Não estávamos de acordo em tudo, mas nunca nos amamos menos porque não concordávamos em todos os detalhes.
Através dos olhos da fé e a esperança, espero ver-lhe no seio de Abraão... (Scott), junto a meu pai, foi meu mais cordial e infatigável companheiro de trabalho na origem e progresso da presente reforma".
Walter Scott faleceu no dia 23 de abril de 1861.
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SOTO, Fernando. La Reforma Presente : Literature and Teaching Ministries, 1997, pág. 89.
Por aqueles tempos os Campbell estavam associados às Igrejas Batistas, o que durou até cerca de 1830.
HUMBLE. B. J. "La Historia de La Restauración" / disponível na Internet, pág. 17.
Alexander Campbell estava correto ao afirmar que as Escrituras fornecem a base bíblica do princípio da cooperação. Podemos ver esse princípio sendo aplicado na solução de problemas na eleição de Matias como substituto de Judas (At 1:12-26), na assistência às viúvas pobres (At 6:1-6), no relato da conversão dos primeiros gentios (At 11:1-18), nas questões doutrinárias polêmicas com a formação do primeiro concílio das Igrejas de Cristo (At 15:1-35), na expansão do Reino de Deus com o envio de missionários (At 13:1-3), no sustento dos mesmos (2Co 11:8-9; Fp 2:25; 4:15-18), no encontro em Trôade (At 20:4-7), no relatório da primeira viagem missionária (At 14:21-28), também podemos ver a cooperação como meio de assistência às igrejas (At 12:22-26; 14:21-23; 2Co 11:28).
HUMBLE, "La Historia de La Restauración", pág. 23.
SOTO, La Reforma Presente, pág. 91, (citando Leroy Garrett, The Stone-Campbell movement: Na Anedoctal History of Three Churches, Joplin, MO.: College Press, 1981, pág. 206).

THOMAS CAMPBELL

THOMAS CAMPBELL: EM BUSCA DO IDEAL DA UNIDADE DE TODOS OS CRISTÃOS



"Que a Igreja de Cristo sobre a terra é essencial, intencional e constitucionalmente uma”.

Thomas Campbell nasceu na Irlanda no dia 01 de fevereiro de 1763 em um lar episcopal anglicano. A sua conversão se deu enquanto estava caminhando pelo campo, orando e cheio de ansiedade. Repentinamente sentiu a paz divina e o amor de Deus como antes nunca tinha experimentado. Suas dúvidas, ansiedades e temores se dissiparam de uma vez, como por encanto¹ .

thomas_campbell.jpgApós esta experiência optou pelo ministério pastoral. Apesar de uma resistência inicial, seu pai acabou por apoiá-lo. Em 1783, com apenas vinte anos de idade, foi estudar na Universidade de Glasgow, na Escócia, que era um centro de excelência do presbiterianismo. Em 1787 Campbell se casou com Jane Carneigle, descendente de huguenotes franceses, e neste mesmo ano foi ordenado. No ano seguinte nasceu Alexander, seu primeiro filho. Até 1798 foi pastor itinerante, quando assumiu o cargo de pastor na congregação presbiteriana em Ahorey² .

Thomas Campbell era membro de um grupo sectário e rígido chamado Igreja Presbiteriana Pró-Acordo Separatista Anti-Burguesa e de Velha Luz da Escócia. Esse longo e pomposo nome é uma claríssima evidência do legalismo, do autoritarismo e do exclusivismo que imperava entre os cristãos nos final do século XVIII e início do século XIX. Apesar de fazer parte de um grupo sectário como esse, Thomas Campbell, por natureza, possuía um caráter pacífico e ecumênico e tinha relações fraternais com outros cristãos, assunto que lhe causou sérios problemas³ .
No dia 13 de maio de 1807, vindo da Escócia e aos quarenta e cinco anos de idade, Campbell desembarcou nos Estados Unidos e foi morar na Pensilvânia. A sua família ficou na Irlanda aguardando ele se estabilizar. O sectarismo também imperava nos EUA, assim como na Europa. Conta-se que ele, enquanto visitava uma região da fronteira norte-americana, sensibilizado com a falta de igrejas e ministros naquela região, convidava crentes de outras comunhões, e que há muito não se reuniam por causa da ausência de igrejas da sua denominação, a ter comunhão com eles. Ele foi acusado de violar os regulamentos da sua igreja e foi submetido à disciplina “por admitir pessoas de outras denominações à Ceia do Senhor e ensinar que um leigo pode dirigir um culto quando da ausência de ministros”4. Denunciado ao Presbitério de Chartiers apelou ao Sínodo da Filadélfia que o repreendeu. Considerado pessoa non grata em seu Condado, Thomas Campbell renunciou às suas funções ministeriais em maio de 1809.5

No dia 17 de agosto de 1809, juntamente com outros vinte e um presbiterianos formou a Associação Cristã de Washington. Thomas Campbell não queria formar uma nova igreja, mas defender uma reforma da Igreja. A Associação Cristã de Washington era um grupo de voluntários com o único propósito de promover um simples cristianismo evangélico. Tudo isso ficou bem claro na sua própria declaração de propósito6 .

Thomas Campbell foi designado pela Associação Cristã de Washington para escrever um documento onde as razões pela qual ela foi formada. No dia 07 de setembro de 1809 este documento foi lido para os membros e imediatamente foi enviado para o jornal local com o título “Declaração e Discurso”. Na apresentação do texto à Associação, imitando os reformadores zwínglianos suíços de Zurique, disse: "Onde a Bíblia fala nós falamos; Onde a Bíblia cala nós calamos"7 . Segundo Fernando Soto, este documento tem quatro seções:

1) A Declaração, que detalha o propósito e os procedimentos da Associação;
2) O Discurso, a seção mais importante onde estabelecem treze proposições para unir os cristãos e exorta-os a aplicá-las;
3) Apêndice, que explica os vários tópicos do Discurso e se adianta a possíveis objeções;
4) Epílogo, que muito brevemente oferece algumas sugestões para futuros eventos8 .

Fernando Soto afirma ainda que, infelizmente, a “Declaração e Discurso” não é conhecido pela maioria dos irmãos do nosso Movimento, apesar de ser um documento inicial do mesmo9 . Talvez tenha contribuído para isso o fato da “Declaração e Discurso” ser um longo documento de sessenta e cinco páginas, escrito em um inglês antigo e formal e com longos parágrafos. Todavia, uma versão resumida em português traduzida pelo autor deste artigo já está disponível para os irmãos no site brasileiro do Movimento de Restauração (www.movimentoderestauracao.com). No entanto, confira abaixo as famosas Treze Proposições, extraídas da "Declaração e Discurso":

"Que ninguém pense que as proposições, que apresentaremos a seguir, têm sido elaboradas como a abertura de um novo credo ou norma para a igreja ou como tenham sido delineadas como requisitos obrigatórios de comunhão. Isso está muito distante da nossa intenção. Essas preposições estão unicamente destinadas a abrir o caminho pelo qual podemos transitar cômoda e firmemente para terreno firme, baseados em premissas claras e seguras, retornando todas as coisas aonde os apóstolos lhes desejaram.

1. Que a igreja de Cristo sobre a terra é essencial, intencional e constitucionalmente uma. Ela se compõe dos que em todo lugar confessam sua fé e obediência a Cristo, em todas as coisas e de acordo com as Escrituras. Eles se manifestam através de seus temperamentos e condutas. Só esses podem ser chamados, própria e verdadeiramente, cristãos.

2. Que não deve haver divisão na comunhão nem rupturas na fraternidade das igrejas, ainda que a igreja de Cristo deva existir em congregações separadas, geograficamente distintas e independentes umas das outras.

3. Que só podem se tomar como requisitos de comunhão ou artigos de fé aquelas matérias ensinadas expressamente e ordenadas aos cristãos na Palavra de Deus.

4. Que o Novo Testamento é o manual perfeito para a adoração e o governo da igreja neotestamentária. Assim como o Antigo Testamento foi uma regra de adoração, disciplina e governo da igreja judia daquela época, assim hoje o Novo Testamento chega a ser a regra perfeita para as responsabilidades dos membros da igreja.

5. Que nenhuma autoridade humana tenha o poder de criar leis para a igreja ou alterar as que têm sido dadas no Novo Testamento.

6. Que o que infere ou se deduz das Escrituras nunca deve se tomar como requisito de comunhão ou parte do credo da igreja, ainda que aos que as descubram lhes pareçam muito certas.

7. Que os sistemas de teologia, embora tenham um lugar útil na Igreja, não devem ser impostos como requisitos de comunhão aos cristãos, já que todos não têm plena compreensão dessas matérias.

8. Que a salvação não depende do conhecimento teológico, senão em reconhecer sua necessidade de salvação em Jesus Cristo. Isso, acompanhado de uma confissão de sua fé e obediência a ele.

9. Que os têm cumprido com o anterior deveriam amar a todos os irmãos, filhos na mesma família do Pai, como membros do mesmo corpo. Que nenhum homem se atreva a separar o que Deus tem unido.

10. Que a divisão entre os irmãos é anticristã, anti-escritural e produz confusão e toda obra má.

11. Que as causas das divisões são o esquecer a vontade de Deus e a prática, de parte dos líderes, de uma autoridade arrogante.

12. Que tudo o que é necessário para reformar a Igreja se resume em três delineamentos: retornar ao modelo bíblico de receber membros na igreja; desenvolver um ministério que seja fiel a Palavra de Deus e que as ordenanças divinas sejam restauradas a sua maneira original.

13. Que quando não se encontre na Bíblia uma revelação ou ordem explícita acerca de algum assunto, então que se possa adotar um precedente inferior a título de recurso humano, para evitar a divisão e a contenção na igreja".

No dia 29 de setembro de 1809, depois de cinqüenta e oito dias no mar, a família de Thomas Campbell desembarcou em Nova York. Ao saber disso, Campbell foi ao seu encontro. Somente no dia 19 de outubro ele pôde abraçar sua esposa Jane e seus filhos: Alexander, agora com 21 anos, Dorothea (16 anos), Nancy (13 anos), Jane (09 anos), Thomas (06 anos), Archibald (04 anos) e Allecia (02 anos)10 .

Como já dissemos acima, a intenção dos “reformadores” não era começar uma igreja, mas em 04 de maio de 1811 a Associação Cristã de Washington foi transformada na Igreja em Brush Run. Ela começou com trinta membros, quatro diáconos, um pastor – Thomas Campbell – e a Alexander Campbell deram a licença de pregador. Seu primeiro culto público foi realizado em 05 de maio de 1811, já celebrando a Ceia do Senhor. Esta congregação era uma igreja local independente e essa é uma característica inviolável das Igrejas de Cristo. E adotaram como lema a frase “Onde a Bíblia fala, nós falamos; Onde a Bíblia cala, nós calamos”. Segundo LeRoy Garrett em um artigo publicado no Restauration Review11, Thomas Campbell permaneceu calvinista em sua teologia.

Thomas Campbell se dedicou à pregação da Palavra e visitas às Igrejas de Cristo. Viajou até os 83 anos de idade. As igrejas o recebiam com alegria o venerável mestre, que era universalmente reconhecido como a personificação de todas as graças cristãs12 . No dia 04 de janeiro de 1854, três anos depois de perder a visão, Thomas Campbell dormiu no Senhor aos 90 anos de idade.
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1 SOTO, Fernando. La Reforma Presente : Literature and Teaching Ministries, 1997 (citando Robert Richardson, Memoirs of Alexander Campbell (Indianapolis, In.: Religious Book Service, 1897. Vol. 1, 23), pág. 38 e 39.
2 Ob. cit., pág. 39.
3 Ob. cit., pág. 40.
4 CHAMPLIN, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia : Editora Hagnos, 1991, vol. 2, pág. 183 e 184.
5 SOTO, Fernando. La Reforma Presente, pág. 41.
6 HUMBLE, B. J. La Historia de la Restauración, pág. 09.
7 Ob. cit., pág. 09.
8 SOTO, Fernando. La Reforma Presente, pág. 42.
9 Ob. cit., pág. 42.
10 Ob. cit., pág. 54.
11 Restoration Review, Vol. 20, No. 10, dezembro de 1978.
12 SOTO, Fernando. La Reforma Presente, pág. 57.

BARTON WARREM STONE

BARTON WARREN STONE: O PIONEIRO DAS IGREJAS CRISTÃS / IGREJAS DE CRISTO


"Que a unidade cristã seja a nossa Estrela Polar".

Estamos comemorando o bicentenário do Movimento de Restauração que deu origem às Igrejas Cristãs / Igrejas de Cristo ou Discípulos, lideradas por Barton W. Stone, Thomas Campbell, Alexander Campbell, Walter Scott, Isaac Errett e outros que estão sendo relembrados neste momento. Todavia, como um Movimento, a nossa gênese histórica aponta para Barton W. Stone.

Barton StoneSegundo Leroy Garrett, é um erro histórico e muito comum afirmar que o Movimento de Restauração teve início com Alexander Campbell¹ , que na verdade foi o nosso principal teólogo e organizador no século XIX. Garrett argumenta que os "cristãos" liderados por Barton W. Stone surgiu cerca de vinte anos antes do ramo iniciado pelos Campbell's. Quando Barton W. Stone e seus companheiros estavam deixando a Igreja Presbiteriana, Alexander Campbell ainda era um adolescente na Irlanda. Somente quinze anos depois da chegada de Alexander Campbell aos EUA foi que eles se conheceram. Portanto, podemos afirmar com muita convicção que Barton W. Stone é o pioneiro das Igrejas de Cristo ou Discípulos. W. L. Hayden afirmou com todas as letras que Barton W. Stone foi o João Batista de uma nova era do Evangelho da graça de Deus² e R. N. Gilmore disse que Stone foi o Lutero dos Discípulos³ e, por fim, A. G. Coming escreveu que o considerava como o maior dos reformadores cristãos deste século4 . Convém lembrar que o nosso Movimento era conhecido como "A Reforma Presente" e só posteriormente foi chamado "Movimento de Restauração" e "Movimento Stone-Campbell".
Barton Warren Stone nasceu em Port Tobacco, Maryland, no dia 24 de dezembro de 1772. Seus primeiros anos de vida foram durante a Guerra de Independência dos EUA e ele chegou a testemunhar algumas das últimas batalhas. Seu pai morreu quando ele era ainda criança e coube a sua mãe a responsabilidade da educação da família.
A herança de John Stone, seu pai, foi dividida entre seus filhos e o jovem Barton Stone resolveu estudar na Academia David Caldwell na Carolina do Norte. Era comum naquela época escolas com um só mestre, todavia esta era uma excelente escola. B. J. Humble escreveu que David Caldwell era presbiteriano e que sua Academia estava dominada pela influência religiosa. Humble relata que James McGready, famoso avivalista presbiteriano do Kentucky, visitou a escola e dirigiu um reavivamento que resultou na conversão de quase todo corpo estudantil5 .
Embora Barton W. Stone tivesse nascido em um lar episcopal anglicano, o reavivamento na escola não o alcançou. No entanto, as pregações de James McGready o deixara convicto do pecado e isto o fez mergulhar em um intenso conflito interior por um ano. Todavia, durante a visita de outro pregador presbiteriano, William Hodge, à Academia David Caldwell para pregar alguns sermões sobre o amor de Deus, Barton W. Stone se converteu 6. Stone descrevendo estas pregações chegou a dizer que Hodge, com muitas lágrimas, falou aos pecadores sobre o amor de Deus7 . Confira o relato da sua conversão, no bosque e à noite, por suas próprias palavras:
"Somente com a minha Bíblia. Ali li e orei com sentimentos que variavam entre a esperança e o temor. Ali clamei e me prostrei a seus pés como um súdito inclinado. Amei-o, adorei-o, louvei-o em alta voz na noite silenciosa com o eco das árvores ao redor" .8
Stone e outros alunos se interessaram pelo ministério cristão e ingressaram na Igreja Presbiteriana. Fernando Soto escreveu que Barton Stone continuou seus estudos da Bíblia e teologia para o ministério, mas tinha vários pontos de divergência com o calvinismo. Para ele isso foi um impedimento para o ministério pastoral, fazendo com que ficasse viajando constantemente9 . Vencida a indecisão, Stone recebeu a licença para pregar em 1795. Três anos depois, em 1798, chegou a hora de ser examinado diante do Presbitério. Sobre esse momento Soto escreveu:
"Stone sabia que não podia aceitar a Confissão de Westminster em sua totalidade. No momento do exame público lhe perguntaram solenemente: "Recebes e adoras a Confissão de Fé como a que tem a doutrina sistemática ensinada na Bíblia?" Stone respondeu com voz firme: "A aceito até onde eu vir que é consistente com a Palavra de Deus". Esta resposta, muito sui generis, satisfez ao Presbitério e lhe outorgaram sua credencial de pastor na Igreja Presbiteriana e foi ordenado como tal" .10
Stone se radicou no Kentucky onde pastoreava duas igrejas presbiterianas nos povoados de Cane Ridge e Concord. Em 1801 se casou com Elisabeth Campbell. Esta veio a falecer ao dar a luz nove anos depois, juntamente com a criança, deixando quatro meninas órfãs. Barton Stone casou-se com Celia Wilson Bowen com que teve mais seis filhos.
Os EUA estavam sendo impactados pelo "Segundo Grande Avivamento" liderado por Timothy Dwight, Charles Finney e James McGready. No Kentucky, onde Stone pastoreava, aconteceu um avivamento quando James McGready, pastor presbiteriano, começou a promover reuniões de oração. Ele pastoreava três pequenas congregações no sudoeste do Estado: Muddy River, Gasper River e Red River.
Em junho de 1800, aproximadamente quinhentos membros destas três igrejas estavam reunidos em Red River. No último dia daquele encontro um grande derramamento do Espírito veio sobre o povo e as primeiras manifestações do poder de Deus tiveram início. Um mês depois, no final de julho, McGready e outros realizaram uma "Reunião de Acampamento" em Gasper River. Estiveram presentes mais de oito mil pessoas, entre elas estava Barton W. Stone que testemunha:
“Ao chegar, encontrei a multidão reunida na beira de um prado onde continuou acampada durante muitos dias e noites consecutivos, durante os quais havia a todo o momento adoração a Deus em algum lugar do acampamento. Muitas vezes havia pregação em vários pontos simultaneamente. As cenas eram para mim de sobremodo estranhas. Desafiavam quaisquer tentativas de descrevê-las. Grandes números de pessoas caíam como mortos na guerra, e continuavam por horas num estado relativamente imóvel e sem respiração. As vezes, por alguns momentos, reavivavam e demonstravam sintomas de vida por um profundo gemido ou grito agudo e penetrante, ou ainda por uma oração por misericórdia fervorosamente pronunciada. Depois de permanecer assim por horas, obtinham a libertação. A nuvem tenebrosa que cobrira seus rostos parecia desvanecer progressivamente e visivelmente, e a esperança em sorrisos clareava até se transformar em alegria. Levantavam-se, então, para bradar sua libertação, e dirigiam-se à multidão em redor numa linguagem eloqüente e impressionante. Atônito, eu ouvia mulheres e crianças declarando as maravilhosas obras de Deus e os gloriosos mistérios do Evangelho. Seus apelos eram solenes, comoventes, ousados e livres. Sob efeito de tais apelos muitos outros caíam no mesmo estado do qual estes acabaram de ser libertos. Dois ou três dos meus conhecidos pessoais foram também prostrados. Sentei-me com paciência perto de um deles (que eu sabia ser um pecador desleixado) por várias horas, observando com atenção tudo que passou do início ao fim. Observei os despertamentos momentâneos, como se fosse da morte, a humilde confissão, a oração fervorosa e a libertação final; depois as solenes ações de graça e louvor a Deus, a afetuosa exortação aos companheiros e ao povo em redor para se arrependerem e virem a Jesus. Fiquei atônito ao ver o conhecimento da verdade do Evangelho manifesto nessas exortações. Como resultado muitos caíram a semelhança da morte. Depois de observar vários casos, tive convicção de que era uma boa obra, e desde então minha mente nunca vacilou sobre este ponto.” 11
O avivamento espalhou como fogo por toda a fronteira oeste norte-americana. As "Reuniões de Acampamento" organizadas se tornaram o meio mais comum de evangelizar e as conversões eram dramáticas e marcadas por manifestações físicas. Em Cane Ridge, no ano de 1801, aconteceu a maior Reunião de Acampamento daquele período, com a presença de cerca de trinta mil pessoas, segundo o que o próprio Barton W. Stone ouvira de alguns militares. Para compreender a grandeza deste evento é bom saber que a maior cidade do Kentucky tinha apenas dois mil habitantes! Fernando Soto, em seu livro "A Reforma Presente" escreveu:
"A Cane Ridge chegaram o Governador do Estado, prostitutas, anglo e afro-americanos, embusteiros, ladrões e também cristãos devotos certamente. Permaneceram ali vários dias até que por razões de abastecimento de alimentos e por higiene, tiveram que ordenar à multidão o regresso para suas casas". 12
O Dr. John White registrou a descrição que Charles A. Johnson, um crítico, nos dá do tipo de pessoas que veio à Cane Ridge:
"Alcoólatras traziam consigo a sua bebida, e a embriaguez e a promiscuidade não eram incomuns. Uma rapariga de vida fácil instalara-se debaixo de uma das plataformas de pregação, até que foi descoberta com seus companheiros masculinos. Muito provavelmente esse tenha sido o evento mais desordenado, o mais histérico, e o maior de todos dentre os esforços despendidos na América em seus primórdios". 13
No entanto, esse acampamento durou seis dias e foi marcado por conversões dramáticas, manifestações físicas e sinais, assim como no Novo Testamento e nos grandes períodos de avivamento na história da Igreja. Os presentes responderam às pregações com confissões, orações fervorosas, ações de graça, louvor a Deus, libertação, testemunhos, exortações ao arrependimento dos pecados e fé em Jesus como Senhor e Salvador. Barton W. Stone descreveu essas manifestações espirituais da seguinte maneira:
“As agitações corporais ou exercícios ocorridos no avivamento do início do século (1801) eram variadas e chamadas de diferentes formas: as quedas, os tremores, as danças, os latidos, as risadas e os cantos. A dança geralmente começava com tremores e era peculiar aos que professavam a religião. A pessoa, depois de tremer um pouco, começava a dançar e os tremores cessavam. Tal dança era em realidade celestial aos olhos dos espectadores. Não havia nela nada leviano nem nada que produzisse deliberadamente leviandade nos que olhavam. O riso do céu resplandecia no rosto do sujeito e a pessoa toda tinha uma aparência angelical. As vezes os movimentos eram rápidos, outras vezes lento... até que se sentiam exaustos e caiam prostrados ao chão a menos que fossem agarrados pelos presentes. Enquanto isso ocorria eu ouvia seus solenes louvores e orações subindo a Deus.” 16
Dentre todas as expressões físicas a mais comum foi "cair". Cerca de três mil pessoas foram prostradas ao chão na Reunião de Acampamento em Cane Ridge. Os relatos afirmam que alguns desmaiaram e ficaram como mortos, porém outros permaneceram conscientes, mas não tinham forças para se mover. Uma outra experiência que Barton W. Stone chamou de "tremores" foi muito comum. Alguns que vieram para criticar ou ridicularizar foram subitamente surpreendidos com este fenômeno17. Dia e noite, cerca de quarenta pastores presbiterianos, batistas e metodistas se revezavam nos diversos pontos de pregação instalados na área do acampamento. Havia sempre de um a sete pregadores simultaneamente. Por vezes, milhares de pessoas saiam gritando em voz alta, todos de uma vez. O som era estrondoso.
Uma outra experiência marcante em Cane Ridge foi "o exercício de cantar" que Fernando Soto define como algo semelhante ao que os carismáticos hoje chamam "cantar no Espírito". Sobre ele Barton W. Stone disse o seguinte:
"Entre tudo o que vi isto é o mais difícil de descrever. O sujeito, em um estado mental muito feliz, cantava da forma mais melodiosa jamais ouvida, não desde a boca ou nariz, mas inteiramente do peito, de onde mais vinham os sons. Tal música silenciava tudo o mais e atraía a atenção de todos. Era o mais celestial, ninguém poderia se cansar de ouvi-lo". 18
James B. Finley, "que então era um livre pensador em matéria de religião, não estando ligado a nenhuma confissão" descreveu o avivamento em Cane Ridge nestas palavras:
"O barulho soava como o ruído das quedas do Niágara. O vasto mar de seres humanos parecia agitar-se como por uma tempestade... Algumas pessoas cantavam, outras oravam, outras clamavam por misericórdia com voz mais piedosa, e outros gritavam estrondosamente. Enquanto eu observava tudo isso, uma sensação particularmente estranha, como eu nunca tinha sentido antes, veio sobre mim. O meu coração passou a bater fortemente, os meus joelhos trepidavam, os meus lábios tremiam, e eu me senti como se eu tivesse que cair ao solo. Um estranho e sobrenatural poder parecia impregnar a mente de todas pessoas lá reunidas... Um pouco depois eu me levantei e fui até a mata ao lado, e lá procurei reanimar-me e restabelecer a minha disposição. Depois de algum tempo voltei ao local da excitação, cujas ondas, se possível, teriam atingido níveis mais altos ainda. O mesmo sentimento atemorizante veio sobre mim. Subi num toro, onde podia ter uma melhor visão do mar humano que se agitava ao meu redor. A cena que então se apresentou à minha mente é indiscritível. De uma vez eu vi pelo menos umas quinhentas pessoas sendo arrojadas ao solo como se uma bateria de milhares de armas tivesse sido descarregada sobre eles, e então seguiram-se gritos agudos e berros que rasgaram o próprio céu... Eu fugi de novo para a mata, e pensei que teria sido melhor se eu tivesse ficado em casa". 19
O Dr. John White chama esta reação de Finley de interessante e argumenta que o fato dele ter ido a Cane Ridge como um "livre-pensador" lhe deu uma boa proteção contra qualquer manipulação ou efeito da psicologia das multidões.
As notícias sobre a Reunião de Acampamento em Cane Ridge espalharam por todo o Kentucky, Tennessee e outros Estados. Embora em Cane Ridge se tenha experimentado um legítimo avivamento, não podemos dizer que ele foi de natureza pentecostal, pelo menos como essa palavra é entendida hoje.
A Igreja Presbiteriana, mais precisamente o Sínodo do Kentucky, desaprovou e reagiu com muita firmeza forçando Barton Stone, Robert Marshall, John Dunlavy, John Thompson, David Purviance e Richard McNemar, o primeiro a ser acusado de heresia ao ser chamado de “arminiano”, a deixarem a igreja. Eles formaram o Presbitério Independente de Springfield, que abrangia quinze igrejas, oito no norte do Kentucky e sete no sudoeste do Ohio. Eles rejeitaram a Confissão de Fé de Westminster (calvinista), adotaram posições nitidamente arminianas, deixaram a Igreja Presbiteriana, passaram aceitar apenas a Bíblia como a sua única regra de fé e prática e, ainda, passaram a usar somente o nome de "cristão". 20
No dia 28 de junho de 1804, o Presbitério de Springfield foi dissolvido por eles. Naquela ocasião foi produzido um dos mais importantes documentos históricos do nosso Movimento: "A Última Vontade e Testamento do Presbitério de Springfield". Este documento panfletário foi escrito em um estilo satírico, o que faz dele um documento incomum cujos pontos principais são os seguintes:
1. É nossa vontade que este corpo morra, seja dissolvido e submergido para se unir sem limitações ao corpo de Cristo, porque há um só corpo e um Espírito, como fomos chamados em uma só mesma esperança de nossa vocação (Ef 4:4);
2. É nossa vontade que o poder que possuímos para fazer leis que governem a igreja, e impô-las por autoridade que nos tem delegado cesse para sempre, de tal modo que as pessoas tenham livre acesso à Bíblia e adotem “a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus”;
3. É nossa vontade que desde este momento o povo considere a Bíblia como a única e segura guia ao céu. Todos aqueles que tenham se ofendido com outros livros que competem com a Bíblia podem lança-los à fogueira, se assim o desejam, porque é melhor entrar a vida tendo só um livro, que tendo muitos e ser lançado no inferno.
Cinco anos depois, Thomas Campbell escreveria a "Declaração e Discurso" que viria a se tornar o principal documento histórico do nosso Movimento. Vinte anos depois de haver escrito a "Última Vontade e Testamento do Presbitério de Springfield" Barton W. Stone conheceu Alexander Campbell em setembro de 1824 .21
Por volta de 1820, as igrejas desse novo movimento liderado por Barton W. Stone somavam 10.000 membros só em Kentucky, 5.000 membros em Ohio e outros tantos espalhados pelos Estados do Tennesee, Alabama, Indiana, Illinois e Missoury. Ao todo eram cerca de 20.000 mil cristãos. Sobre os seus primeiros anos os autores do livro “Raízes da Restauração” escreveram o seguinte:
“No início se concentrou na vida em santidade, buscando restaurar o estilo de vida da Igreja Bíblica. O ideal de liberdade era a pedra fundamental desse movimento e até o batismo era deixado a critério de cada um. O caráter cristão e a liberdade eram muito preciosos. Para eles a restauração da Igreja do Novo Testamento passava pela negação das tradições opressoras das igrejas estabelecidas e a unidade da Igreja Primitiva era a unidade na liberdade e não unidade na concordância”. 22
Para eles o batismo era por imersão, para os crentes, mas não necessariamente para o perdão dos pecados. Afirmavam que não havia nenhum mandamento bíblico quanto à periodicidade da Ceia do Senhor, por isso a celebravam trimestralmente. Acreditavam que somente um ministério ordenado poderia batizar os conversos ou dirigir a Ceia do Senhor. Estavam mais interessados em unir todos os homens em Jesus Cristo e, por fim, usavam os métodos do Segundo Grande Avivamento, onde as reuniões de avivamento organizadas se tornaram o meio mais comum de evangelizar, com pregações emocionais e conversões com manifestações físicas e sinais .23

Barton W. Stone mudou-se para Illinois em 1834 de onde desenvolveu um ministério apostólico fundando e visitando igrejas pelos estados de Indiana, Missouri e Illinois, e supervisionando os pastores. Em 1841 um ataque o deixou semi-paralisado. Após ter pregado na reunião anual dos irmãos do Missouri no dia 09 de novembro de 1844, faleceu enquanto regressava para sua casa em Hannibal. No ano de 1847 seus restos mortais foram levados para o cemitério de Cane Ridge, Kentucky, onde tudo começou. Lá funcionou até 1922 uma igreja do nosso Movimento e hoje todo o lugar é um museu de história em honra a Barton W. Stone .24
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[1] GARRETT, Leroy, Restoration Review, Vol. 18, No. 7, setembro de 1976. ( Restoration Review , Vol. 18, No. 7; Sept. 1976)
[2] HAYDEN, W. L. Barton W. Stone, Harbinger of Restauration, 1909.
[3] GILMORE, R. N. Provocative Pamphlets, No. 21, Literatura do Comitê Federal das Igrejas de Cristo na Austrália, set/1956.
[4] GONÇALVES, Osório R. Apostila do Departamento de História Religiosa da Faculdade teológica Cristã do Brasil, pág. 15.
[5] HUMBLE, B. J. La Historia de la Restauración, pág. 05.
[6] Ob. cit., pág. 05.
[7] SOTO. Fernando. La Reforma Presente : Literature and Teaching Ministries, 1997 (citando Hoke S. Dickinson, ed., The Cane Ridge Reader, Cane Ridge, Ky,. 1972, 10), pág. 17.
[8] Ob. cit.,, pág. 18.
[9] Ob. cit.,, pág. 19.
[10] Ob. cit., pág. 20.
[11] WALKER, John. O Avivamento de 1800, pág. 4 a 6.
[12] SOTO, Fernando. La Reforma Presente, pág. 24.
[13] WHITE, John. Quando O Espírito vem com Poder, pág. 75.
[14] Semelhante ao som dos cães, grunhidos, sons não exprimíveis - nota do tradutor.
[15] "Professar a religião" era uma expressão da época para descrever a conversão - nota do tradutor.
[16] SOTO, La Reforma Presente (citando Hoke S. Dickson em "The Cane Ridge Readger"), pág. 23.
[17] LATOURETTE, Kenneth Scott, A História da Expansão do Cristianismo, IV (Grand Rapids: Zondervan, 1970), pág. 192.192 a 194. (4) Ibid., pp. 192-93. (5) Ibid., p. 193. (6) Ibid., p. 194.
[18] SOTO, Fernando, La Reforma Presente, pág. 23.
[19] WHITE, John. Quando o Espírito Vem com Poder, pág. 76.
[20] Como todas as principais denominações evangélicas da atualidade (presbiterianos, batistas, menonitas, assembleianos e etc.), em nosso movimento também houve excessos e erros no início. O arianismo, o socianismo e universalismo foram pregados por alguns, mas posteriormente, com o amadurecimento, esses rumos foram corrigidos.
[21] SOTO, Fernando, La Reforma Presente, pág. 31.
[22] ALLEN, C. Leonard. Raízes da Restauração, pág. 111, 112 e 113.
[23] SOTO. Fernando. La Reforma Presente (citando "The Stone-Campbell Movement: Na Anecdotal History of Three Churches" de Leroy Garrtett, 282), pág. 32.
[24] Ob. cit., pág. 34 e 35.

CLARA HALE BABCOCK

CLARA HALE BABCOCK (1850-1924)
A primeira mulher ordenada ao ministério no Movimento Stone-Campbell
Clara Celestia Hale Babcock nasceu em 31 de maio de 1850 em Fitchville, Ohio, filha de Laura e John Hale Jr., que faleceu antes que ela completasse seu primeiro ano de vida.
Nascida em um lar metodista, Clara foi fortemente influenciada por seu tutor, Frederick Paine, ministro da Igreja Metodista e ativo proibicionista. Em 9 de agosto de 1865 ela casou-se com Israel Babcock e teve seis filhos, mas somente dois ficaram adultos.
Clara Hale BabcockO casal Israel e Clara Babcock aproximaram-se do Movimento Stone-Campbell em 1880, através do avivalista e evangelista George F. Adams da Igreja Cristã em Sterling, Illinois (obs.: as igrejas do nosso Movimento ainda hoje são identificadas pelos nomes de Igrejas Cristãs ou Igrejas de Cristo) e que estava conduzindo uma série de reuniões.
Depois de ouvirem uma mensagem sobre o batismo bíblico por imersão dos crentes arrependidos, Clara procurou seu pastor metodista e pediu para ser imersa e ele respondeu: “Não, não, você foi batizada de acordo com a fé de seus pais e os ensinamentos da Igreja”. Então ela respondeu: “O que a Bíblia ensina? Você pode mostrar-me onde a Escritura ordena a aspersão ou devo ir às para dentro das águas como foi o meu Salvador?”. Uma semana depois os Babcocks foram batizados por George Adams. Nathaniel S. Haynes escreveu que ela foi de porta em porta com a Bíblia na mão e muitos deles se converteram ao Senhor.
Clara Hale Babcock foi muito ativa em várias organizações da sociedade civil e chegou à presidência da WCTU (Woman’s Christian Temperance Union) no condado de Whiteside em 1887.
A pioneira Clara Babcock começou a pregar na Igreja Cristã em Erie no mês de novembro de 1888 e no dia 2 de agosto de 1889 foi ordenada por Andrew Scott da Igreja em Sterling. Ela foi uma evangelista muito popular e, também, uma palestrante pela temperança por toda região. Clara Babcock exerceu seu pastorado em Erie, Thompson, Rapid City e Savanna em Illinois; LeClaire e Dixon em Iowa; Ellendale, Dakota do Norte e Port Arthur, Ontário (Canadá). Durante os seus trinta e seis anos de ministério, sempre com o apoio moral e cordial do seu marido, Clara Babcock batizou 1.502 novos convertidos.
Clara Babcock é considerada a primeira mulher ordenada ao ministério em nosso Movimento. Além dela, outras pioneiras também foram ordenadas: Jessie Coleman Monser (1891), Sadie McCoy Crank (1892), Bertha Mason Fuller (1896) e Clara Espy Hazelrigg (1897). Clara Babcock faleceu no dia 12 de dezembro de 1924.
Fontes:HULL, Debra B. Women in Ministry, The Enciclopedia of the Stone-Campbell Movement, p. 776-777.
PEREIRA, Mary Ellen Lantzer Pereira, The Encyclopedia of the Stone-Campbell Movement, p. 54.
HAYNES, Nathaniel S. History of the Disciples of Christ in Illinois 1819-1914, Cincinnati: Standard Publishing Company, 1915. Pages 464-467. This online edition © 1997, James L. McMillan.

ULYSSES DE OLIVEIRA

Há quarenta anos atrás, no ano de 1969, chegava a Pires do Rio, go., um casal de missionários com a visão de plantar uma Igreja de Cristo avivada, vibrante e cheia do Espirito Santo. Eram eles o Pr. Gerald Holmquist, sua esposa Mary e os filhos.
Imediatamente, com recursos doados por pequenas igrejas americanas ( a maioria delas igrejas rurais ), foi adquirida uma capela Metodista que pertencera ao Instituto Grambery de Pires do Rio, que havia encerrado suas atividades e passado o prédio da sua Escola para o Estado de Goiás. A capela era muito boa e cabia cerca de duzentos e cincoenta pessoas.


Após um període de visitação de casa em casa, aconteceu a primeira Escola Dominical em janeiro de 1970 e daí para cá a igreja cresceu e se multiplicou, gerando mais tarde, uma familia de igrejas filhas e netas que passou a ser conhecida como o Ministério Nova Terra.
Eu, por indicação do Pr. Geraldo, assumi o pastorado da igreja em janeiro de 1975 e aqui desenvolvi o ministerio que Deus me deu.
Sou muito feliz em ser o pastor desta igreja e de tantos discípulos e filhos na fé que Deus nos deu.
Temos o sonho de tocar o Brasil e as nações e isto tem se cumprido na vida de cada filho na fé que sai treinado, ordenado e enviado como pastor ou missionário.





UM BREVE HISTÓRICO SOBRE LLOYD DAVID SANDERS O FUNDADOR DA IGREJA DE CRISTO NO BRASIL

L. DAVID SANDERS: PIONEIRO DAS IGREJAS DE CRISTO NO BRASIL
Nascido numa fazenda no condado de Benton, estado de Iowa, EUA, em 28 de fevereiro de 1918, ano da Primeira Grande Guerra Mundial. Aos doze anos, entregou sua vida para Jesus, atendendo ao apelo evangelístico de pregadores itinerantes rurais da época. Com 21 anos ingressou no seminário, Johnson Bible College, Tennessee, distante mil quilômetros de sua cidade natal (1939-1943).

pr._david_e_ruth_sanders.jpgAinda seminarista foi ordenado ao Santo Ministério, na cidade de Vinton, Iowa, no dia 12 de setembro de 1941. Bacharelou-se em Arte Sacra no ano de 1943 e em seguida ingressou na Phillips University, na cidade de Enid, Oklahoma (1944-l947). Neste período conheceu a filha do pastor da Igreja Discípulos de Cristo, da cidade El Dorado, Kansas, unidos pelo matrimônio no dia 29 de agosto de 1945. A noiva passou a chamar-se Ruth Edna Sanders.
Em 1948, como resultado de sua chamada missionária para o campo transcultural (Sanders recebeu sua chamada em sonho, ainda como seminarista no JBC, que seria missionário numa cidade chamada Brasília, na qual nunca ouvira falar e muito menos constava em Mapa Mundi algum), desembarca no Aeroporto do Rio de Janeiro sem falar uma palavra sequer em português. Contato prévio com o missionário Orlando Boyer, da Assembléia de Deus, que no passado fora pastor de uma Igreja de Cristo nos EUA, foi sua salvação em terra brasileira. Sanders hospeda-se com os Boyer por dois meses, e em seguida marcha para o Centro-Oeste brasileiro, de trem-de-ferro até Anápolis, Goiás, de ônibus até Goiânia, onde esperou pacientemente o nascimento da cidade de seu sonho, Brasília.

Em 1956, chega ao Distrito Federal abrindo uma Escola Agrícola, na Chácara Vargem da Bênção, com localização atual em Samambaia e em 1957 dá entrada no protocolo de pedido de uma área no Plano Piloto. No ano da inauguração da Capital da República, no dia 21 de abril de 1960, o pastor David Sanders inaugurou a Igreja de Cristo em Brasília.

Lloyd David Sanders foi o primeiro missionário de um movimento intitulado "Movimento de Restauração", localizado em 80 países, com cinco milhões de membros, tendo proporcionado três presidentes aos Estados Unidas da América. James Garfield, republicano, assassinado no ano de sua posse. Lyndon Johnson, que sucedeu Kennedy (1963-1969) e Ronald Reagan, republicano da Califórnia, que exerceu dois mandatos (1981-1989).

A Primeira Igreja de Cristo no Brasil, localiza-se em Goiânia, onde o "movimento" possui mais de 50 igrejas, fruto do trabalho dos Sanders naquela cidade. Hoje a igreja alastrou-se pelo estado, de Goiás e mais treze estados da federação. Em 1960 inaugura-se a Igreja de Brasília. Entretanto, o trabalho teve seu início anos antes. Na atualidade contamos com 40 igrejas (grandes e pequenas) no Distrito Federal e Entorno. Da década de 50 em diante outros missionários norte-americanos, influenciados pelos relatórios dos Sanders, chegam ao Brasil e hoje, às vésperas do cinqüentenário da sua chegada, março de 1998, podemos contar com aproximadamente 250 Igrejas de Cristo no Brasil e em torno de 50 mil membros.

Lloyd David Sanders viveu nos EUA de 1918 a 1947, 29 anos. Viveu em Goiânia de 1948 a 1960, 12 anos. Vive em Brasília desde 1960, 37 anos (quase metade de sua vida). Aqui criou seus filhos: Starla, Dario e Marla. Dario voltou aos EUA para servir às Forças Armadas Americana, casou-se e lá permanece. Starla casou com um brasileiro e teve seus cinco filhos também em Brasília. Marla, filha adotiva, também casou em Brasília e cria seus filhos na cidade que os Sanders adotaram, antes mesmo de existir.

Em 1966, cursou letras durante um ano na Universidade de Brasília (UnB), na condição de aluno
especial. Abriu várias igrejas na cidade, escolas (alfabetização de adultos e outras), orfanato (El Shaddai), casa de repouso para idosos (Adonai), que existem até hoje no Pró-Vida, atendendo a população de Samambaia e Recanto das Emas, cidades do Distrito Federal.
David Sanders é um verdadeiro pioneiro, no sentido real da palavra. Chegou antes da inauguração de Brasília, morou em Taguatinga, Plano Piloto, na Quadra 708 Sul e atualmente reside na SQS 405. Possui uma longa genealogia de "filhos" brasileiros, seus discípulos.

Nota: As Igrejas de Cristo, fruto do “Movimento de Restauração, são igrejas locais independentes uma das outras, não tendo, portanto, uma sede geral, bispo ou pastor presidente ou equivalente (exceto em caso de Ministério, que compreende a união de igrejas filhas)”. Se unem umas as outras pelo vínculo do amor e ideal em comum. Nossos Concílios e Convenções têm um caráter extremamente de comunhão, não havendo poder deliberativo sobre as igrejas locais. "Estamos restaurando a Igreja do Novo Testamento, falando onde a Bíblia fala e silenciando onde ela silencia".